O que sabemos sobre os incentivadores respiratórios?

É preciso fazer uma reflexão crítica sobre a fisiologia respiratória e correlacionar com a não efetividade de alguns aparelhos de terapia respiratória. Entre os equipamentos mais utilizados e amplamente ensinados e incentivador respiratório fluxo e a volume são os de primeira escolha.

Com a discussão de que são equipamentos baratos e de fácil aquisição no sistema público, fisioterapeutas e médicos indicam como forma de terapia lúdica ou mesmo, melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada.

A falta de evidencia científica parece não impactar na contínua indicação deste tipo de equipamento em pré-operatórios de cirurgias bariátricas, atendimento de pacientes parkinsonianos e até em doenças neuromusculares.

Fiz uma busca na literatura para tentar correlacionar os erros da indicação e os motivos pelo qual não tem efetividade. Fernandes SCS (2015) realizou a mensuração da capacidade pulmonar em pacientes pós-cirurgias abdominais e comparou com o Bilevel. Não houve em nenhuma situação melhora da capacidade pulmonar.

Ainda deve ser questionado que o uso do bipap preconizou volume de 6 ml/kg, estratégia utilizada apenas para ventilar e não como estratégia de incremento pulmonar efetivo. Uma outra comparação foi realizada por Sikol G em 2015, entre a drenagem autógena e o inspirômetro de incentivo.

O estudo discute sobre a realização da técnica em pacientes com fibrose cística. O estudo foi retrospectivo, indivíduos com FC realizaram de 30 a 45 minutos do espirômetro de incentivo à respiração resistiva (n=40) ou da drenagem autogênica (n=32) em dias separados.
A conclusão do estudo é que essas duas técnicas podem permitir pressões torácicas mais baixas e ajudar na prevenção do colapso das vias aéreas centrais. O artigo não consegue evidenciar benefícios de nenhuma das técnicas. Dias M. et al em 2015 já demonstrou benefício da manobra de breath stacking em pós-operatório de cirurgia cardíaca, quando comparado ao uso de incentivador respiratório.

O artigo mais atual sobre o tema e de Rowley (2019). O objetivo principal deste estudo foi determinar se há uma diferença na redistribuição dorsal da ventilação e incidência de complicações pulmonares no pós-operatório ao comparar a espirometria de incentivo (IS) com a terapia de expansão pulmonar EzPAP após cirurgia abdominal superior. Nenhuma das duas terapias tiveram desfechos favoráveis.

Os vídeos demonstram como é impossível manter volume constante ou interferir em pressões intra-torácicas para equalizar as pressões quando utilizamos incentivadores respiratórios a fluxo. Algumas pessoas podem perguntar: Mas e os incentivadores há volume? Seriam mais efetivos? Veja o vídeo e faça a sua análise!

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